quinta-feira, 13 de agosto de 2009

SILÊNCIO QUE CURA


Dono de um enorme poder antiestresse e com um potencial de cura surpreendente, o silêncio contribui para a serenidade e o relaxamento e pode tornar a vida de qualquer um, a partir de atividades simples, um pouco mais tranquila.
Permanecer em silêncio tem efeitos práticos surpreendentes.

Serenidade, distensão, relaxamento, atenção consciente e intuição criativa são alguns dos benefícios mais importantes da prática regular dessa grande ferramenta antiestresse.
"Isso se deve ao fato de que não há tanta interação com estímulos externos, mas uma maior atenção ao que há dentro: pensamentos, emoções, sensações, que vêm e vão, na mente, no coração, no corpo", explica Raúl Vincenzo Giglio, professor de ioga e meditação e que faz parte de um grupo que promove retiros de silêncio e atenção consciente.
Permanecer atentos e em silêncio tem um efeito harmonizador. Essa maior capacidade de atenção e observação acaba produzindo um estado de neutralidade, no qual somos menos sectários, intolerantes, partidários e subjetivos.
Isso tem uma série de resultados práticos com propriedades extremamente saudáveis: serenidade, distensão, relaxamento, atenção consciente, intuição criativa e compressões repentinas.
Outro dos principais efeitos terapêuticos do silêncio, ainda segundo Vincenzo Giglio, é gerado nas crises pessoais e processos de crescimento, que produzem uma reorientação para dentro de nós mesmos, convidam a olhar o que nos atinge e a discernir onde está a raiz do problema para tentar superá-lo.
Bálsamo
Em vez de se esconder nos momentos difíceis, que são também enriquecedores como em um parto que dá origem a uma nova vida, é preferível abordar os problemas através do silêncio, um estado de plenitude em que há mais unidade interior, uma maior presença no "agora" e uma menor fragmentação entre passado e futuro.
"Em momentos de crise, se permanecemos em silêncio por um momento, em contemplação, podemos observar nossos pensamentos e relativizá-los", aconselha o terapeuta.
Ao observar a nossa mente ir e vir, podemos espantar alguns pensamentos negativos e "desobedecê-los", evitando que nossas emoções e ações corram atrás deles.
É possível "cultivar" o silêncio em diversos cenários, como por exemplo, dando um passeio simples pela natureza, só, em grupo ou com um animal de estimação. Mar, montanha, florestas, campos, lagos, rios, riachos: todos os lugares são interessantes, embora cada pessoa deva escolher aquele que sinta que melhor conecta com seu interior.
Os parques e jardins das cidades são ambientes naturais muito saudáveis, que convidam à contemplação e a estar com seu "eu interior", espaços férteis onde a mente inicia processos diferentes dos de quando está estimulado por impulsos de reação gerados pelo ambiente urbano.
O carro, por mais incrível que pareça, também é um lugar bom para processar muitas coisas em silêncio e durante um momento longo, enquanto se dirige rumo ao trabalho ou outro lugar.
Em vez de ouvir rádio, uma pessoa pode estar consigo mesma, relaxar, dirigindo devagar, respirando lenta e profundamente, enquanto a mente ordena e processa uma série de pensamentos.
Um bom momento para fugir do barulho é durante uma caminhada ou um passeio, instantes silenciosos que convidam a estar consigo mesmo.
Também é possível entrar em algum templo, um lugar que independentemente das ideias que carregue e divulgue, emana uma atitude contemplativa e relaxante.
"Ao acordar, é bom estar em silêncio por um momento para se concentrar no dia que começa, antes de iniciar as atividades cotidianas.
Convém sentar durante dez minutos, respirando e pensando em coisas boas", aconselha Vincenzo Giglio.
Passeios, corridas, ginástica ou qualquer outra atividade física são outros momentos especiais para estar em silêncio e consigo mesmo..

Por Daniel Galilea / EFE

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